segunda-feira, 4 de julho de 2011

COMO SURGEM AS EMOÇÕES E COMO ADMINISTRÁ-LAS?



            As emoções surgem das cadeias de pensamentos produzidas pelo processo de leitura da memória realizado em milésimos de segundos. Portanto, com exceção das emoções que são geradas pelo metabolismo cerebral e pelas drogas psicotrópicas, como tranqüilizantes e antidepressivos, todas as demais experiências emocionais são frutos da leitura da memória e da produção de pensamentos conscientes e inconscientes.
            Toda vez que você teve um sentimento, produziu, antes, um pensamento, ainda que não tenha percebido. Alguns acordam mal-humorados ou deprimidos, porque antes de despertar, leram a memória, produziram cadeias de pensamentos perturbadores em seus sonhos que excitaram a emoção e geraram humor depressivo. A tristeza ao entardecer segue o mesmo processo. A diminuição do ritmo de atividades sociais leva à introspecção, abre as janelas da memória, gera cadeias de pensamentos, gera a solidão.
            O processo de construção de pensamentos e emoções é rapidíssimo, não temos consciência dele. O Gatilho da Memória, abre um grupo de arquivos – Janela da Memória, diante de um estímulo. Essa janela é lida, produz pensamentos que transformam as emoções. O som de uma música, por exemplo, pode abrir uma janela da memória e produzir pensamentos que recordam doces experiências.
            O grande problema do processo da leitura da memória, construção de pensamentos e transformação de energia emocional é que o “EU”, que representa a capacidade de escolha, só toma consciência deles numa etapa posterior. Isso pode algemar sua liderança. Vejamos: ao assistir um filme de terror, você (seu “eu”) pode desejar não sentir medo, pois sabe que por detrás das cenas existem câmeras, diretor de imagem, assistente de produção, iluminador, etc. Todavia, quando a porta começa a ranger, o Gatilho da Memória abre uma janela contendo seus medos do passado. Isso produz pensamentos inconscientes, que transformam a energia emocional. Tudo é realizado em frações de segundos. Você prometeu que não iria sentir medo, mas o medo surgiu no teatro da sua mente antes que você conseguisse dominá-lo.
            Usando a figura do teatro, o maior desafio do “EU” é controlar e administrar o medo e a ansiedade depois que eles surgem.
Em qualquer experiência, os primeiros pensamentos e emoções surgem antes da consciência do “EU”. O “EU” deve sair da platéia, entrar no palco e dirigir a peça dos pensamentos e emoções.
Podemos evitar que a peça se inicie se reeditarmos o filme do inconsciente ou construirmos janelas paralelas.(Aprenderemos como fazer isso na próxima aula)
Há pais que começam um pequeno atrito com um filho e não param mais. Ficam mais de uma hora discutindo o mesmo assunto. Há pessoas que sofrem uma injustiça no trabalho e ficam pensando e se angustiando. Há pessoas tímidas que, por terem de enfrentar uma reunião social, martirizam-se semanas antes. Essas pessoas maravilhosas ficam assistindo ao teatro de terror na sua mente sem fazer nada. Não sabem que o “EU” não é obrigado a viver tais pensamentos e emoções. Não sabem que podem mudar a peça.
Para administrar a emoção, o “EU” deve praticar a técnica do DCD (duvidar, criticar, determinar). Deve rapidamente duvidar dos seus pensamentos perturbadores, duvidar do conteúdo doente das suas emoções. Deve questionar os motivos da sua reação, criticar sua ansiedade, exigir ser livre naquele momento. Enfim, deve usar a ferramenta do silêncio, se interiorizar e resgatar a liderança do “EU”.
Se o “EU” não duvidar e criticar as peças teatrais doentes que se encenam na sua mente, ele vai ser sempre vítima das suas mazelas psíquicas e dos seus transtornos emocionais.
           
Augusto Cury
Texto retirado do livro: 12 semanas para mudar uma vida

ANSIEDADE E SINTOMAS PSICOSSOMÁTICOS


A ansiedade é um estado psíquico em que ocorre uma produção excessiva de pensamentos e emoções tensas. Os sintomas básicos são: irritabilidade, intolerância, insatisfação, instabilidade, inquietação, transtorno do sono e, às vezes, sintomas psicossomáticos, como dor de cabeça, gastrite, tontura, nó na garganta, hipertensão arterial, queda de cabelo, dor muscular.
Os sintomas psicossomáticos surgem quando a ansiedade não é resolvida. Ela é transmitida para o córtex  cerebral e vai procurar  algum órgão de choque. No coração gera taquicardia; na pele, prurido (coceira); nos pulmões,  falta de ar. Algumas pessoas têm mais facilidade para desenvolver  esses sintomas do que outras.
Hoje sabemos que os transtornos  psíquicos  podem desencadear uma série de doenças físicas, de infarto a certos tipos de câncer. Nossa emoção pode ser tornar um oásis para nossa vida ou uma bomba para nosso corpo. A escolha é sua. Administre-a.
Há uma ansiedade vital que é normal, pois nos anima a romper o conformismo, lutar pelos nossos sonhos, alimentar nossa curiosidade. Há outra destrutiva, que é crônica, intensa e bloqueadora. Que tipo de ansiedade você tem cultivado?
Há vários tipos de ansiedade: as fobias (medo desproporcional diante de um objeto fóbico), a síndrome do pânico (sensação súbita de que vai morrer ou desmaiar), o transtorno obsessivo compulsivo – TOC (ideias fixas acompanhadas, às vezes, de rituais ou comportamentos repetitivos), o transtorno de ansiedade generalizada – TAG (inquietação e irritabilidade acompanhada com freqüência de sintomas psicossomáticos), o estresse pós-traumático (ansiedade que se sucede aos traumas físicos e psíquicos, tais como perdas de pessoas, perda de emprego, divórcio, acidentes...).
Se uma dessas ansiedades envolvê-lo  em alguma curva da vida, não se desespere. Ela pode ser superada. Nada é irreversível na psique humana. Treine administrar sua emoção, reciclar seu estilo de vida, atuar dentro de si mesmo.



AUGUSTO CURY

Texto retirado do livro: 12 semanas para mudar uma vida.

DEPRESSÃO: O ÚLTIMO ESTÁGIO DA VIDA

Existem vários tipos de depressão. Depressão maior (pessoa que sempre foi alegre, mas por vários motivos, como perdas, frustrações, separação, pensamentos negativos, tem uma crise depressiva), depressão distímica (pessoa que sempre foi triste e pessimista desde a adolescência), depressão reacional (humor triste resultando de um trauma ou perda).
Muitos pacientes deprimidos são ótimas pessoas, mas não têm proteção emocional. Eles sofrem a dor dos outros, doam-se excessivamente, são hipersensíveis, uma ofensa causa-lhes uma dor intensa. Os sintomas depressivos mais importantes são: desânimo, perda do prazer, diminuição da libido (prazer sexual), transtorno do sono e do apetite, ideias de suicídio, fadiga excessiva, ansiedade, isolamento social.
A depressão não é um estado de tristeza temporário, que dura horas ou dias. É uma doença. Se ela for importante, deve ser tratada por um profissional de medicina, de preferência, por um psiquiatra experiente. O tratamento com antidepressivos pode e deve ser complementado por uma psicoterapia.


AUGUSTO CURY
Texto retirado do livro: 12 semanas para mudar uma vida.
RISCO DE SUICÍDIO

Importante: quando uma pessoa pensa em suicídio, na realidade, ela não quer matar a vida e sim sua dor. Quem pensa em morrer tem,  no fundo fome e sede de viver. Está procurando desesperadamente destruir a angústia e não terminar com sua vida. Muitos dos meus pacientes deprimidos que pensavam em suicídio deram um salto na sua qualidade de vida ao descobrir que, na realidade, não querem morrer, mas viver. Saíram da platéia, aprenderam a resgatar a liderança do “EU”. Deixaram de ser vítimas da sua miséria emocional.
Se você tiver parentes ou amigos com depressão e que estão sem coragem para viver, ouça-os sem criticar. Não lhes dê conselhos superficiais. Empreste-lhes o coração. Diga a eles que são fortes, que têm uma grande fome e sede de viver. Encoraje-os a procurar ajuda profissional.
Jamais devemos desistir da vida. Devemos enfrentar com humildade e ousadia as nossas perdas e decepções. Devemos diariamente criticar, confrontar, administrar nossas emoções doentias. Grite silenciosamente dentro de você.
Se você treinar administrar sua emoção, depois de alguns meses o resultado será fabuloso. Você viverá mais tranqüilamente, Terá mais encanto pela existência. A sensibilidade e a serenidade serão incorporadas paulatinamente em sua personalidade. Por isso, exercite ser o ator principal do teatro da sua mente.

AUGUSTO CURY
Texto retirado do livro: 12 semanas para mudar uma vida.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O RESGATE DA LIDERANÇA DO EU

            De acordo com a Teoria da Inteligência Multifocal, de Augusto Cury, o “EUrepresenta nossa capacidade crítica, nossa vontade consciente e capacidade de decidir. O “EU” é a nossa identidade.
            O “EU” não são meros pensamentos e emoções. O “EU” é a nossa capacidade de analisar as situações, duvidar, criticar, fazer escolhas, exercer o livre-arbítrio, corrigir rotas, estabelecer metas, administrar as emoções e governar os pensamentos.
            Um “EU” doente, sem estrutura e maturidade é indeciso, inseguro, instável, impulsivo, ansioso, escravo dos pensamentos e das emoções destrutivas. Mesmo intelectuais, executivos e líderes sociais podem ter um “EU” doente ou imaturo.
            Nossa história, arquivada na nossa memória, é a caixa de segredos da nossa personalidade. Somos construídos pela carga genética e pelo ambiente educacional e social, representados pelos nossos pais, professores, amigos, colegas, escola, televisão, esporte, música, uso da Internet e etc. Somos construtores da nossa personalidade através da liderança do “EU”.
            A cada ano, milhões de pensamentos e emoções são registrados na memória tecendo complexas redes de matrizes. Pouco a pouco, essas matrizes preparam a formação do “EU”.
            Na adolescência o “EU” deveria estar razoavelmente alicerçado. Na vida adulta, ele deveria estar estruturado a tal ponto que deveria assumir plenamente a capacidade de liderança do próprio ser.
            O grande problema é que a maioria das pessoas não desenvolve um “EU” crítico, lúcido, coerente, capaz de tomar decisões certas na hora certa. Assim, não se torna autor da própria história.

AUGUSTO CURY

AFINAL DE CONTAS O QUE É SER AUTOR DA PRÓPRIA HISTÓRIA?

            Se considerarmos a mente humana como um grande teatro, é possível afirmar que, devido à fragilidade do “EU” para atuar dentro de si, a maioria das pessoas fica na platéia assistindo passivamente a seus conflitos e misérias psíquicas encenados no palco. Precisamos sair da platéia, entrar no palco dos nossos pensamentos e emoções e dirigir nossa história.
            O que você faria se a relação com as pessoas que você ama estivesse em crise, se o encanto pela vida estivesse acabando e o prazer pelo seu trabalho estivesse se esgotando? Lutaria para reconquistar o que mais ama? Ficaria paralisado na platéia pelo medo e dificuldades ou entraria no palco e resolveria ser autor da sua história?
            Apesar da mente humana ser de indescritível beleza, a personalidade adquire conflitos com facilidade: complexo de inferioridade, timidez, fobias (medos), depressão, obsessão, síndrome do pânico, doenças psicossomáticas, rigidez, perfeccionismo, insegurança, impulsividade, preocupação excessiva com o futuro e com a imagem social. 
Alguns são controlados pelos traumas do passado; outros, pelas decepções do presente. Uns resolvem com facilidade suas dificuldades, outros perpetuam suas doenças psíquicas por anos ou décadas. Não aprenderam  a intervir no seu próprio mundo. Vivemos em sociedades livres, mas nunca houve tantos escravos no território da emoção. 

AUGUSTO CURY

O IDIOTA E A MOEDA

          Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia às custas de uma pessoa taxada por todos como um completo idiota....
Um pobre coitado, de pouca inteligência,  vivia já há anos de pequenos biscates e esmolas.
Diariamente eles chamavam o moço ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de apenas 400 RÉIS e outra menor, mas de 2.000 RÉIS. Ele sempre escolhia a maior que valia menos.
E nisso se resumia a diversão da turma toda.
Certo dia, uma pessoa de bem,  moradora da cidade, querendo poupar o moço destas sessões de humilhação chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.
            _ Eu sei, respondeu o moço. "Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, eles não farão mais a brincadeira comigo e não vou mais ganhar minha moeda”.

Podemos tirar várias conclusões dessa pequena narrativa:
A primeira: .............................................Quem parece idiota, nem sempre é.
A segunda: ......................................Quais eram os verdadeiros idiotas da história?
A terceira: ..............Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.

A conclusão mais interessante é :
*A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito. Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos.

*O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente.

*Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação.
Porque sua CONSCIÊNCIA, de forma maiúscula, é o que você é, enquanto sua reputação é de forma minúscula, o que os outros pensam de você.
E o que os outros pensam... é problema deles.
(Texto de Arnaldo Jabour)

EXERCÍCIOS PARA PRÁTICA DIÁRIA

1) Treine aprender a pensar antes de agir. Treine usar a ferramenta do silêncio nos focos de tensão (nos momentos em que você estiver alterado, nervoso... )
2) Todo ser humano, quando constrói um pensamento, é um grande artista, ainda que viva no anonimato. Jamais se sinta inferior às pessoas.
3) Nunca desista das pessoas que você ama e nunca desista de você mesmo.
4) Não seja um escravo dos seus conflitos. Tenha um “EU” lúcido e crítico, que sabe o que quer. Exercite diariamente sair da platéia, entrar no palco da sua mente, ser líder de si mesmo. Resgate a liderança do “EU”.
5) Enfrente com dignidade suas dores, dificuldades, angústias, humor triste, pensamentos negativos. Não tenha medo de suas mazelas psíquicas; mas, sim, receio de ser omisso, de não ser autor da sua história.
                                                                             Augusto Cury